Blog da Vivian Whiteman

Arquivo : maio 2012

Parte 2
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Vivian Whiteman

 

Pare, respire, dê um pivô. Tá de boa, vai?

 

Parte 2  – Que vantagem Maria leva?

 

Daí se desenha um retrato interessante. No Fashion Rio, evento de coleções que em sua maioria são “remixes” assinados, há um elemento de colonialismo, da admiração dos locais pela “metrópole” colonizadora.

 

Por um  lado, assumir essa relação talvez seja um primeiro passo, senão para mudá-la, para vivê-la da melhor forma possível. Sim, o Brasil é um país jovem perto do Velho Mundo, foi colônia por muito tempo e escravo do FMI e das grandes potências decadentes até anteontem. É normal que a moda ainda esteja refletindo esse processo histórico.

 

E a moda francesa, a moda italiana, são mais antigas e mais experientes, têm mais recursos em vários sentidos, da bagagem histórica à indústria organizada. Também é natural que não só um certo grupo de consumidores, mas que muitos designers e equipes de estilo, as vejam como “irmãs mais velhas e chiquérrimas”,como as garotas mais cool e populares da escola.

 

Mas, mano, por outro lado, o jeito que a gente vê o outro (e o que achamos que pensam de nós) é que ajuda a definir o que a gente é. Tem um caminho sendo trilhado, vão vendo, vamo acordando.

 

E para quem fala tanto de informação e cultura de moda, saibam que,  do bê-a-bá às funções mais complicadas, o cérebro aprende via repetição. Assim, as grifes de difusão que hoje podem entrar no orçamento da classe C são responsáveis por um trabalho de treinamento do olhar do consumidor, na base da repetição do que já foi mostrado pelas grandes semanas internacionais e por alguns criadores brasileiros. Digo criadores no sentido mais tradicional de como isso é compreendido na história da moda (sim, eles existem no Brasil, e são muito muito bons!!! Aguardem post).

 

Então, que tal os comentadores virarem esse disco de chororô e indignação meia-bomba (ohhhh, as grifes copiam)? E que tal o Fashion Rio abraçar as classes B e C? Os anunciantes estão loucos por esse público. Hellooooooooo.

 

E, fashionistas, nem só de roupas perfeitas e babado conceitual se faz o guarda-roupa e o mercado. É claro que o FR pode manter sua porção de grifes para o público mais rico e até de conceituais, seja lá o que isso for nesse caso. Mas esse não seria o foco.

 

Vamo partir pra briga, Brasil!

 

Por que não existe na passarela nenhuma grife com culhões de assumir o estilo Suelen, o naipe Valesca Popozuda? Tipo uma marca sucesso do baile, como foi a Gang.  Por que ignorar o batalhão de moças de calça justa com meia esportiva branca usada por cima, esticada até quase o joelho? Alguém que olhasse pra isso com inteligências viraria cult em dois tempos.

 

Por que em geral não se aproveita o que tem de mais fora das regras na moda de rua? Todos perdem sendo tão metidinhos, com tanto medinho de ser cafona. Até a primeira maison gringa copiar, claro… Tererê com pena é caro hoje em dia no Upper East de NY… Brinco de pavão do camelô de praia tá nas butiques francesas. Fica a dica para os bons entendedores, assim, uma passadinha real do que está acontecendo e vou comentar em post futuro.

Agora o twist do limão, a mente do vilão, o avesso do avesso do avesso:

 

A popozuda e a malhafunk cariocas não seriam bons exemplos de sucesso do fenômeno “antropofágico” que citei mais acima? Elas surgem de um desejo pela imagem Los Angeles-Miami das gostosas, vinda da “linha evolutiva” (cof) das bombshells. Mas o lance é que essa imagem é tão modificada no processo pelo qual o gosto e o comportamento locais se apropriam dela, que se transforma em algo novo. E isso é…criação!

 

Ou seja, vamos confrontar a realidade, Brasil. Batendo de frente com todos os seus complexos, não só o Fashion Rio, mas a moda brasileira em geral, podem ganhar muito.

 

Aqui no pé do morro é nóis que tá, filha, se deu tilt é pq tá rolando

 

Post da próxima quinta: afinal, o que é chic? O que é cafona?

 

Vou ali botar meu top

Besos pras (sen)Suelens,

VW

 


Fashion Rio, mostre a sua cara!
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Vivian Whiteman

 

Parte 1 – Mais um verão desfilado. E agora, José?

 

Chega de preguiça, se vc curte moda leia até o fim.

 

Babado e confusão essa edição do Fashion Rio que terminou no último sábado. Nada demais na passarela. O bafo rolou nos bastidores e nos comentários.

 

Acabo de receber o email de um leitor questionando o desfile da Aüslander e apontando semelhanças com a Givenchy. Muita gente veio falar da performance da grife Reserva, tipo “comercial de margarina” moderno encontra versão de Glee feita pela oitava série B. Há também uma unanimidade sobre a falta de novidades.

 

Desde que comecei a cobrir moda sistematicamente e com exclusividade, o que foi lá pelos idos de 2005, todo mundo reclama desse evento. Digo, a história de cópias  e falta de novidades é recorrente. Poucos são os jornalistas que escrevem isso, no entanto. Nem sempre porque não queiram, mas porque muitas vezes não podem fazê-lo por conta dos compromissos comerciais dos veículos para os quais trabalham.

 

Pois bem, vou servir aqui de porta-voz das reclamações que me fazem e dar minha percepção desse balaio de gato fashionista.

 

Meus statements. O Fashion Rio vem desenvolvendo e tem, no momento, vocação para ser um evento de massa, direcionado sobretudo (o que quer dizer principal,ente, mas não exclusivamente) aos olhos do público. No momento, não é um evento que ofereça material suficiente para crítica de moda tradicional.  Por outro lado, é ótima fonte para analisar comportamento e opções de mercado.

 

Alguém dirá, ai, não entendi…

 

Vamos lá, step by step, uh-babe:

 

1 – O Brasil é um país de dimensões continentais, lembra disso na aula de geografia? Pois é… Daí que a massificação é desde sempre um ponto de partida para a difusão de qualquer coisa nessa nossa terra. O mesmo vale para a moda. Há as cenas e mercados regionais, mas a difusão de um moda que se pretenda nacional tem de passar por processos de massificação.

 

2 – Isso ocorre de várias formas. Uma delas, das mais efetivas, são as redes de shopping e as multimarcas. São elas que fazem circular um mesmo produto no país inteiro.

 

3 – Em termos de imagem, a grande difusora de moda do Brasil é a TV. São duas as maiores fontes espalhadoras de desejo mostradas na TV brasileira. A – As novelas da rede Globo B- Os blockbusters de Hollywood. Esse sistema depois será reproduzido em revistas especializadas e de celebridades, nos sites, gerando subcriadores de desejos, desde a editora de moda até a blogueira fashion. Mas não há Anna Wintour no Brasil que se compare à força de uma boa protagonista de novela das 20h/21h. Não há quem chegue perto disso, nem de longe.

 

Um salve para Marília Carneiro e todo o departamento de figurino da Globo, ali tem munição pra brigar com Deus e Diabo na terra do sol, Brasil!!!

 

4 – O Fashion Rio fica no Rio (c jura???), sede do Projac, a Hollywood local. Circulam pelo evento atores e atrizes, cantores, enfim, rola uma social forte  (deveria ser mais forte ainda). O que gera um desejo pelos convites, por estar no evento, por fazer parte dessa festinha, por ver as fotos, os vídeos E…por comprar as roupas, por menos inovadoras e preciosas que sejam, acredite, pouca gente realmente se veste querendo inovar horrores e pouca gente pode pagar pelo melhor corte, o melhor tecido.

 

Dito isso, vamos lá. O Fashion Rio dialoga com esses universos-chave para entender o Brasil: shopping center/multimarcas e indústria de celebridades. As grifes que se destacam lá fazem roupas de tendências já manjadas pelos fashionistas, mas que ainda estão sendo assimiladas pelo público em geral. E a maioria esmagadora de quem movimenta o comércio fashion está nesse segundo grupo.

 

O Fashion Rio tem duas forças. 1 – A moda praia, que é a melhor e a mais descolada do mundo, não há dúvidas. 2 – A difusão e a valorização dos grandes negócios de moda feitos para vender, em massa,roupa com informação de moda, mas sem grandes invenções.

 

Há algo que ninguém gosta de admitir, o que demonstra o quão jacu e complexada ainda é nossa mídia fashion, o que reflete a mentalidade  (e também os interesses mal escondidos) de muitos designers e empresários.

 

Um dos maiores trunfos do Brasil em termos de moda é sua vocação para fast-fashion, que vem em parte do nosso gigantismo geográfico.  Basta ver a força de C&A, Renner e até mesmo da Zara no país. Grifes como Colcci e TNG estão aproveitando esse fato e merecem respeito por isso porque, em termos de negócios,  fortalecem o mercado.

 

Desse bolinho, no futuro e com certas condições estruturais,  pode emergir uma nova H&M criada no Brasil. Uma nova TopShop. E por que não? Uma loja em cada Estado e já teríamos um novo megabusiness. Sem contar o potencial das grandes capitais. Vale lembrar que a TopShop, tão amada pelos fashionistas, só trabalha com tendências já dadas e desfiladas.

 

A TopShop, inclusive, tem uma linha mais chiquezinha que desfila na semana de moda de Londres…

 

A Colcci, aliás, deveria voltar a desfilar no Rio. Imaginem Ashton Kutcher, o quanto renderia a mais na mídia em solo carioca? Lá faria sentido um tapete vermelho, ia ser loucura e gritaria. E as demais grifes também poderiam abraçar sem culpa o truque da celebridade na passarela. É uma arma super válida quando se assume que o foco é valorizar uma roupa, assim, descoladinha.

 

O Fashion Rio deve se assumir como foco da social fashion, da praia e da roupa de difusão. Melhor ainda  seria acrescentar nesse bolo  um plus que faz TODA a diferença. O fermento da cópia abrasileirada. Da referência adaptada, como faz a TV quando compra programas gringos.

 

A cultura dominante (seja o star system americano ou as maisons europeias para as quais tanta gente  paga pau, com certa razão) temperada e mastigada segundo as características, necessidades e questionamentos locais. Estamos falando disso desde a Semana de Arte de 1922, não? O manguebeat fez isso. O tecnobrega faz isso. Os bons remixes de música eletrônica. O rap. Cada um acrescentando suas questões. Hello.

 

Mas, como jornalista, não vou fugir do samba. A mídia também precisa repensar a cobertura do evento. Lá não se propõe o último grito da tendência nem a perfeição arquitetônico-formal da roupa.

 

Vamos ver então COMO o Brasilzão se apropria dos gringos. De quem eles estão escolhendo copiar e o q isso significa? O que realmente pegou das tendências gringas e que estão sendo reproduzidas pelas marcas, e como isso pode ser um mapa do gosto local? Como está a fila da balada, qual é o look mais insano do baile funk, no calçadão o que as gringas estão comprando como suvenir, qual é a canga-sensação do povão turista, que marca está pagando qual atriz da Globo para ir ao desfile, enfim, a pauta é gigante e variada, tem pra todo mundo.

 

O governo do Rio criou, aliás, uma coisa chamada “estilo RJ”, campanha de valorização do charme local, com fins óbvios de exportação de todo o chamado lifestyle local. Hellooooo.

 

 

(continua)


Bowie, o gênio da moda
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Vivian Whiteman

Eu amo David Bowie. Pra mim ele é um dos grandes caras da história do mundo, não só da música. Porque, enfim, a boa música é uma das grandes maravilhas do mundo, faz da humanidade um bando de primatas mais interessante. 

Bowie talvez seja um dos caras que melhor compreendeu o que é ser um astro pop. Desde muito cedo percebeu que a imagem e a música geravam uma química louca quando se metiam juntas nos palcos, principalmente naqueles onde se tocava rock.

Sua  fase glam, falando apenas das roupas, é ainda hoje uma das coisas mais sofisticadas que se fez em termos de moda em todos os tempos. Os figurinos das turnês de Ziggy Stardust e Aladdin Sane jamais foram superados. Talvez Madonna e Lady Gaga sejam as únicas a ter se aproximado disso. Mas sem alcançá-lo.

A questão não era supertecnologia, muito dinheiro nem nada disso. Além do mais, no final dos 60 e início dos 70, as marcas de moda não disputavam artistas com a mesma voracidade de hoje. E, saibam, muitos desses figurinos foram feitos por amigos de Bowie, gente que entendia o conceito e estava disposta a participar da festa.

Uma festa muito séria, apesar de toda a loucura, das drogas e da festa. Como todo grande artista da imagem, Bowie sempre zelou de perto pela construção de seus espetáculos, incluindo as roupas. Gente como Freddi Burretti e Natasha Korniloff. A mulher de Bowie, Angie, e até uma espécie de babá do filho do casal, Susie Frost.

As referências eram sofisticadas. Do top bailarino Nijinsky até o visual do filme “Laranja Mecânica”, de Stanley Kubrick. Macacões, bodies, glitter, muito brilho. Muitas peças eram feitas de materiais baratos, às vezes copiadas de outras mais caras. Outras, eram confeccionadas com materiais encontrados em lojas estilo “Tudo R$ 1”.

E.T., andrógino, mutante, sexualmente ambiguo. David Bowie simplesmente antecipou temas que viriam 10, 20, 30 anos depois de Ziggy Stardust. Não era só uma questão de estética, mas algo que dialogava diretamente com as letras, com a estrutura musical e também com o comportamento de toda uma geração. 

 Nos anos 80, Bowie mudou de personagem. Alguns disseram que ele havia se rendido ao mainstream, uma acusação acima de tudo, ingênua. Além de burra, é claro.

Bowie se apropriou de tudo. Dos yuppies, da nova vida moderna, do culto ao dinheiro. E botou tudo a favor de sua carreira, de maneira cínica quando foi necessário. Fez discos piores e melhores porque, de fato, a genialidade permanente é para os chatos. Os pontos baixos acabam empurrando os verdadeiros gênios a terrenos intocados. E se fez dinheiro com isso, tanto melhor para ele.

Bowie foi um imperador de outro mundo no filme “Labirinto”, um vampiro delicioso em “Fome de Viver”, sempre lindo, sempre impecável, um semideus de olhos diferentes. Pena que, por exigência de suas mulheres, consertou os dentes maravilhosamente assimétricos que só acentuavam sua beleza única.

Durante sua carreira, até hoje, vestiu peças de diversos estilistas. Um de seus preferidos, amigo pessoal: Alexander McQueen. Os grandes gênios, afinal, se reconhecem.

Bowie veste McQueen na capa do disco Earthling

E agora, dizem que Bowie está recluso e que pagam uma fortuna por uma foto dele. Ou seja, numa época em que todos fazem tudo para aparecer, em que as roupas são cada vez espalhafatosas sem nenhum conceito, de modo que as pessoas tenham de ver aparições lamentáveis de “artistas” cof tipo Nick Minaj, Bowie mais uma vez saiu na frente. Ele ficou invisível. Sensacional. 

Ai, sei lá. David Bowie, te amo.

Bjs

VW

PS: Ah é, tá rolando uma mostra de filmes dele em SP. Vai lá

http://festival.culturainglesasp.com.br/

 


A Jovem Carrie ou Sex and the City Jr.
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Vivian Whiteman

As fãs de Carrie Bradshaw, a jornalista-fashionista de “Sex and the City”, estão tensas. Está prestes a ser lançada uma série que contará a adolescência da musa das loucas por sapatos (e bolsas, e vestidos, e homens ricos, cof, digo, homens bonitões).

A atriz Anna Sophia Robb será a  versão teen da personagem em “The Carrie Diaries”, nova série da CW.  Fora o cabelo, é meio difícil imaginar que ela se transformaria numa mulher estilo Sarah Jessica Parker, mas, minha gente, esse é o reino da ficção.

Pensando bem, a série é uma espécie de “Star Wars – A Ameaça Fantasma”, só que em vez de nerds, o alvo são as moças fashionistas e simpatizantes. E em vez de mostrar como Anakin virou Darth Vader, vamos ver como a mocinha Carrie virou a top tendencista e colunista da “Vogue”.  Não estou dizendo que Carrie seja nenhuma vilã, antes que as fanáticas me furem com um Manolo-agulha. Enfim, vocês entenderam, a ideia é mostrar “como nasceu o mito”.

O engraçado é que nas fotos, já adolescente, Carrie parece uma fashionistas formada. É como se a adolescência dela fosse uma espécie de mundo “Gossip Girl” (aliás, a nova série é dos mesmos produtores que criaram o mundinho de Serena e Blair). Porém, nos flashbacks que rolavam no próprio seriado e no primeiro longa da turma, que voltavam até a casa dos 20 anos das personagens, Carrie não parecia assim tão incrível… Sim, ela já seguia as tendências, mas existia um elemento cômico na situação.

A  jovem  Carrie mal acabaou de chegar a Manhattan e já está arrasando. Ela não faz “sex” ainda, mas já ganhou a “city”, a atenção de um boy magia, amigas incríveis e roupas que toda adolescente amaria ter.  Assim é fácil, né, gente? Um pingo de realidade cruel nesse conto de fadas, please, senão perde a graça. Vamos aguardar.

Vamos esperar, enfim,  por um bafinho, uma cafonalha,  um trauma que seja. Tipo quando os irmãos Walsh chegaram a Beverly Hills no início do seriado noventista “Barrados no Baile”. Ou quando a riquinha nojentinha de “A Garota de Rosa Shocking” pergunta à linda personagem de Molly Ringwald se ela compra as roupas dela “numa loja brega”. Não sabe do que estou falando? Pois recorra a São Google. Cultura pop também ajuda a entender o mundo, sabia?

E será que os caretas da TV americana vão mostrar quando Carrie, a mulher-chaminé, começou a fumar? Oh, dúvida atroz.

Fiquem ligados.

the-carrie-diaries-promo (clique aqui para ver o trailer da série)

Bjs, VW


O Sol acima dos hipsters e o verão do Best Coast
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Vivian Whiteman

Best Coast tem sido minha nova banda preferida nos últimos tempos. Talvez porque eu esteja sonhando, desde o ano passado, com umas férias maravilhosas de verão que ainda não rolaram. E essas férias seriam um misto de passado triste e esperança bate-no-peito, sabem como?

E aí que recebi a notícia que Bethany Consentino, ou seja, o Best Coast em si, lançou uma linha de roupas para a Urban Outfitters, na minha opinião, uma das melhores fast-fashion e multimarcas do mundo.

Look da linha de Bethany

Ok, a Urban é meio hipster… E o Best Coast também… Serei eu uma hipster enrustida? Ah, por favor. Essa coisa de hipster é um saco, e não é porque os marqueteiros inventam um novo nicho de mercado que a gente precisa fingir que não gosta de certas coisas só pra não entrar na dança.

E deixem pra lá essa história de hipster, ô coisa chata.

Bethany diz que se inspirou nos anos 90 para criar a coleção. Mais exatamente em filmes tipo “As Patricinhas de Beverly Hills” e “Jovens Bruxas”. Quem, como eu, era adolescente na época, vai catar rápido o que isso significa.

Os 90 são a bola da vez na moda, disso você já deve saber. Mas, afinal, o que foram os 90 em termos de moda? Um tempo de tentar rever certos clássicos a partir de um viés decadente. Meio rindo, meio chorando.

Os grunges de um lado, com os cardigãs de vovô esfarrapado, o jeans rasgado, as botas de exército detonadas. Uma mistura do almofadinha dos anos 60, o largadão 70 e o soldado, passado por um triturador de referências. Também estavam lá os clubbers, uma versão do look psicodélico só que sem esperança, uma espécie de hippie que em vez do flower power abraçasse o slogan “no future” dos punks. A estética do ecstasy, dos paraísos químicos sem causa.

E onde se encaixa a coleção de Bethany?

 

Bethany canta

Filmes como “Patricinhas” e “Jovens Bruxas” são mais interessantes do que parecem. Falam de uma geração de mulheres que também passou no liquidificador os estereótipos femininos. As garotas populares da escola que não queriam ser burras, fúteis e vagabas. As não tão populares, as esquisitas, que em vez de serem “queimadas” feito antigas bruxas, resolveram botar pra quebrar. Garotas perdidas entre a promessa de nunca crescer e os papéis sociais lamentáveis oferecidos pelo mundo adulto.

Não se esqueçam que, nos anos 90, bandas como Hole, Bikini Kill e L7 renovaram as ideias que as moças tinham sobre feminismo e liberação feminina. Ok, parte delas se mostrou equivocada, mas os erros fazem parte da coisa. E, é preciso ressaltar, muitas moças de corações aflitos sofreram menos por conta das músicas que essas garotas cantavam. No Brasil, bandas como o Pin-Ups fizeram a ponte com esse tipo de som, abrindo caminho para outros grupos.

Courtney Love nos primórdios do Hole

No cinema, Winona Ryder, Liv Tyler, Brittany Murphy (RIP) e outras gatas viviam papéis de moças confusas em filmes indie cheios de música e dúvidas.

Winona Ryder, a shoplifter mais linda do mundo

 

Os 90 também liberaram a androginia na pista, os meninos e meninas se perguntavam afinal o que era ser homem ou mulher, uma das perguntas mais importantes da psicanálise e, portanto, da vida. As respostas ainda estão sendo construídas, por cima de toda a imbecilidade, por cima de todo o preconceito e por cima de todas as dificuldades reais que esse tipo de questionamento envolve.

Foram bons os péssimos e decadentes anos 90, sabiam? Porque ao menos havia a consciência da crise, havia certa consciência do horror e, com pouca esperança, chutava-se portas como se não houvesse amanhã. Ok, talvez seja um pensamento nostálgico, mas há verdade nele. Mas aí chegou 2001 e o mundo se retraiu com medo da tragédia televisionada. Com a ameaça furada do Hollywood nuclear.

A moda não criou nada disso, mas refletiu tudo isso.

Então talvez seja interessante revermos, agora, mais de dez anos depois do 11 de Setembro, que abriu as portas para uma nova era de trevas, os mágicos anos 90. Sementes estavam sendo plantadas lá.

Não será uma coleção da Urban que vai mudar o mundo, temos certeza disso.

 

Jovens bruxas

Mas eu quero aproveitar essas minhas férias de verão, que virão, pra ouvir Best Coast e pensar no que foi interrompido pelo medo de viver. As músicas de Bethany fazem pensar num lugar tão bom que não existe. Como as minhas férias de verão utópicas: podem até acontecer mas não serão como são na minha mente. Isso não me impedirá, no entanto, de tirá-las. Entenderam? Não? Então leiam de novo, está tudo aí. Tentativa e erro, tentativa e erro, o segredo está na repetição, não na fórmula. A moda ajuda tanto a entender isso, porque, como diz nossa guru Costanza Pascolato: “na releitura de época tem sempre algo de diferente, muito discreto, é aí que devemos parar os olhos”.

Como a moda, a vida é feita de releituras. Aliás, a moda não faz nada que não seja refletir a vida. Por isso é bom ficar de olho em quem está controlando o espelho. Fique atenta, amiga, faça você mesma o seu Sol de verão.

E não se esqueça de abrir as asas quando encontrar outra andorinha tru  😉

 


Carolina Dieckmann e o direito incontestável a ficar pelada dentro de casa
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Vivian Whiteman

Todo mundo, ou quase todo mundo, deu uma olhadinha nas fotos da atriz Carolina Dieckmann pelada. Ou pelo menos ouviu falar…

Carolina já foi fotografada mil vezes na praia, de biquíni. Já fez cenas ousadas em novelas, posou seminua para revistas de fitness e até para exposição de shopping. E, provavelmente, nem que ela tivesse posado completamente pelada e em poses ginecológicas para uma revista masculina teria chamado tanta atenção.

 

É claro, em casos como esse, os comentários são os piores possíveis. Tem gente que fica tão contente que parece ganhador da Megasena. Os mais bocós comentam a depilação, o cenário, esquadrinham tudo, dão suas opiniões estéticas, fazem piadinhas mais velhas e previsíveis do que andar pra frente.

Se existe algo de sorte para Carolina nesse babado é que, enfim, ela é linda e está especialmente bonita sem Photoshop. Tivesse um inocente pneu, estaria sendo queimada na fogueira cruel das redes sociais, território de livre circulação do ódio e da barbaridade. O problema, óbvio, não são as redes em si. Ainda bem que existem, ao menos a gente consegue monitorar de alguma forma o que, de outro jeito, estaria decerto sendo cultivado no silêncio de lares insuspeitos. Ai, que medo.

 Mas o que querem, sobretudo os homens, que babam nas fotos de Carol? Não é apenas uma questão de pornografia. Querem espiar o que não é deles, querem ver não somente o corpo sem roupa, mas a intenção, as expressões de uma moça querendo fazer um charme para o cara que ela ama. O que as peladas de revista fingem na base genérica, ou seja, aquele olhar padrão de “te quero, pessoa que está vendo essas fotos”, Carolina estava fazendo com endereço certo: os olhos do marido.

Enfim, minha gente, aqueles olhinhos brilhantes e o pacote que vem junto são para o marido. Aceitem!

 Houve quem dissesse que Carolina planejou tudo. Ahan. Ou que, no fundo, ela queria que as fotos vazassem mesmo. Assim, num nível quase inconsciente.

 Pois mesmo que, numa fantasia tão íntima quanto as graças que ela dedica ao homem de sua vida, Carolina fantasiasse sobre a circulação das fotos na mão de geral, isso não daria a ninguém o direito de divulgá-las. Quem o fez é mau caráter, criminoso e ponto final.

 Ela não foi a primeira nem a última a passar por isso. É um dos novos crimes da modernidade digital. Outro dia, num almoço entre amigos, comentamos outros casos do tipo, envolvendo moças que nem são famosas. Sobrevive-se, mas, que situação… 

 Para quem não sabe, tirar fotos meio ou totalmente pelado/a para fins pessoais é muito comum e ficou ainda mais com o advento das câmeras turbinadas de celulares (Fiquem de olho nos aparelhos, fica a dica). E todo mundo tem direito a fazer as fotos que bem entender em lugares reservados sem que o primeiro taradinho chantagista venha pedir grana para segurar o “material” ou simplesmente sem que o primeiro otário resolva publicar coisas que não lhe pertencem a troco de piadinha.

Não é questão de moralismo.  Sejam famosas ou não, as pessoas têm o direito de manter seus segredos.

Mas, se vocês querem saber, vou contar um fato deveras perturbador, revelado por uma amiga. A moça perde o celular cheio de fotos comprometedoras. Bem mais ousadas que as de Carolina. Entra em desespero e checa o Facebook de dois em dois segundos. No dia seguinte, recebe o celular de volta na portaria do escritório. Intacto. Com um bilhete anônimo, algo quase assim: “Parabéns, você é uma gata deliciosa. Relaxe, as únicas cópias que eu fiz estão no meu cérebro. Tome cuidado. Um beijo”.  Tá bom pra vocês? Ela rasgou o bilhete, apagou as fotos, mas só relaxou porque, meses depois, nada aconteceu. 

Pois é, como diria o Ritchie, a vida tem dessas coisas…

 

 

 

Bjs,

VW

 


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